AS 5 principais raças de gado de corte
A produção de carne bovina é uma das atividades econômicas mais importantes do Brasil. Para os pecuaristas, a prática tende a ser bastante rentável, desde que alguns cuidados sejam tomados, e certos pontos, avaliados. Por exemplo, conhecer bem as raças de touro é fundamental para entender o quanto as características dos animais impactam a produção.
Isso, porque cada linhagem se adapta de maneira diferente aos diversos biomas brasileiros e apresenta resultados ímpares de produção — fruto dos melhoramentos genéticos.
Portanto, ao calcular o custo de produção do gado de corte, o pecuarista deve saber exatamente em que está colocando seu dinheiro, para ter certeza de que esse é um investimento seguro.
Elaboramos este artigo para falar sobre as principais raças de gado de corte, as características de cada uma e como elas se adaptaram às diversas regiões do país. Aproveite as informações!
1. Angus
A raça Aberdeen Angus é uma das mais conhecidas do Brasil, tendo grande destaque nos mercados de carne bovina nacional e internacional. A qualidade da carne é a principal responsável por esse reconhecimento, já que ela apresenta excelente habilidade para o marmoreio, além de uma cobertura de gordura espessa e uniforme.
Contudo, existem outros fatores que justificam o sucesso da raça na pecuária de corte. A alta fertilidade, a precocidade e a facilidade de parto asseguram um ótimo retorno financeiro aos produtores.
A precocidade não se refere somente ao fato de as fêmeas iniciarem o ciclo reprodutivo entre os 14 e os 18 meses, mas também ao seu rápido crescimento e terminação.
A raça, originária da Escócia, tem uma carne de qualidade, com 3mm a 6 mm de espessura de gordura e alto grau de marmorização, atendendo tanto o mercado interno como o externo. Ainda que muito bem-adaptada ao clima do pampa gaúcho, ela responde de maneira igualmente produtiva em regiões mais quentes do país.
Como se não bastasse, esses animais são mochos e dóceis, o que facilita o manejo dentro da porteira.
2. Nelore
O Nelore é uma raça bovina originária da Índia. Esses animais foram trazidos para o Brasil com o objetivo de melhorar o gado nativo e constituem a raça que mais recebe seleção, resultando em ótimos índices produtivos.
Calcula-se que cerca de 80% do rebanho nacional de corte seja composto por bovinos Nelore ou anelorados, sendo a raça predominante nas fazendas da região central do país. Esses animais grandes alcançam bom desenvolvimento e são direcionados exclusivamente à produção de carne.
O apreço que recebem dos pecuaristas se deve à rusticidade da raça, que, por apresentar muitas glândulas sudoríparas, adapta-se bem às regiões quentes do Brasil. Além disso, a pelagem é espessa, o que confere boa proteção ao ataque de parasitas — isso significa que o produtor pode ter menos gastos com medicamentos.
As fêmeas têm partos fáceis, e os bezerros, por sua vez, nascem fortes e sadios, o que faz com que a perda seja mínima. Ademais, as carcaças do Nelore podem alcançar 20 arrobas aos 26 meses, com rendimento de 50 a 55% em uma dieta de pastagens. Para completar, também toleram bem as restrições alimentares.
3. Brahman
O Brahman teve origem nos EUA e é resultado de cruzamentos entre importantes raças zebuínas, que tiveram início com um gado brasileiro predominantemente Guzerá, com participação de Gir e de Nelore. As seleções visavam ao desenvolvimento de animais tolerantes à umidade, ao calor, aos endo e ectoparasitas e a determinadas doenças.
Os cruzamentos das linhagens resultaram em uma raça de touro que herdou a qualidade da carne, a precocidade dos bezerros e a fácil adaptação ao clima tropical brasileiro, suportando bem as pastagens mais grosseiras. São animais que costumam dar ótimos rendimentos aos produtores, tanto na produção de carne quanto na reprodução.
As fêmeas são bastante utilizadas em programas de inseminação artificial, em transferência de embriões e em fertilização in vitro.
4. Brangus
O Brangus é uma raça fruto dos cruzamentos entre Brahman e Aberdeen Angus, aprimorados simultaneamente nos EUA, no Brasil, na Austrália e na Argentina. As seleções tinham como objetivo aumentar a rusticidade das raças europeias e diminuir a vulnerabilidade a parasitas, com a contribuição das raças zebuínas.
Os Brangus também apresentam precocidade sexual, habilidades maternas e excelente acabamento de carcaça e marmorização da carne. São animais muito utilizados em confinamento, por se adaptarem bem e terem um elevado ganho de peso.
5. Senepol
O Senepol tem uma história recente no Brasil, já que chegou aqui nos anos 2000. Mesmo assim, o país já é referência no melhoramento genético da raça, e a carne tem sido cada vez mais encontrada nos frigoríficos nacionais.
Esses animais têm um crescimento acelerado e um ciclo de engorda curto, o que os torna prontos para o abate mais precocemente. Além disso, têm uma excelente conversão alimentar, e seus bezerros têm maior peso ao desmame, sendo vendidos por valores acima da média do mercado de reposição.
São altamente adaptáveis a qualquer dieta e tolerantes ao calor, à umidade e aos parasitas. Também são longevos e têm alto desempenho reprodutivo. Essas características fazem com que sejam mais utilizados em cruzamentos industriais e com o objetivo de aumentar o número de sobreviventes ao parto nas fazendas.